EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Guerra com o Irão leva Trump a adiar viagem à China "por cinco ou seis semanas"

Guerra com o Irão leva Trump a adiar viagem à China "por cinco ou seis semanas"

O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou esta terça-feira que decidiu adiar a viagem a Pequim devido à crise com o Irão, que afeta a política externa dos EUA e atrasa os esforços de redução das tensões entre Washington e Pequim.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Evelyn Hockstein - Reuters

"Estamos a reagendar a reunião... Estamos a trabalhar com a China. Eles concordaram", disse Trump aos jornalistas no Salão Oval, na Casa Branca.

A viagem de Trump a Pequim estava prevista realizar-se entre 31 de março e 2 de abril, sendo esta a primeira visita da China no seu segundo mandato, que já dura há 14 meses. A viagem foi adiada “em cerca de cinco ou seis semanas”, anunciou Trump.

O adiamento da visita aumenta a incerteza tanto para os mercados como para a diplomacia, uma vez que a guerra com o Irão fez disparar os preços do petróleo, ameaçou a navegação pelo Estreito de Ormuz e intensificou o foco dos investidores na segurança energética. Para além disso, ficam também assim paralisadas as negociações para aliviar as tensões comerciais entre Washington e Pequim sobre Taiwan, tarifas, chips de computador, drogas ilícitas e agricultura.

Na segunda-feira, Trump já tinha anunciado que tinha pedido o adiamento por "cerca de um mês" da sua visita de Estado, explicando que queria estar em Washington “por causa da guerra” no Médio Oriente.

"Pedimos [à China] para adiar por cerca de um mês, e estou ansioso por estar com eles. Temos uma ótima relação", disse.
Washington pressiona Pequim a ajudar no Estreito de Ormuz
O pedido de adiamento surge numa altura em que Washington está a pressionar Pequim para ajudar a garantir a segurança do Estreito de Ormuz, uma importante via navegável para o trânsito de petróleo que foi bloqueada pelo Irão em retaliação pelos ataques norte-americanos e israelitas, iniciados em 28 de fevereiro.

Numa entrevista ao Financial Times, na segunda-feira, o presidente dos EUA disse que a China, devido à sua dependência do petróleo do Médio Oriente, devia ajudar na nova coligação que está a tentar formar para que o tráfego de petroleiros possa fluir através do estreito.

"Gostaríamos de saber" antes da viagem se Pequim vai ajudar, disse Trump, sugerindo na altura que podia adiar a sua visita.

Trump pediu a várias nações, incluindo a China, que ajudem os navios a transitar em segurança pelo Estreito de Ormuz, por onde transita diariamente um quinto do petróleo mundial. O pedido de ajuda foi, até agora, amplamente rejeitado. A China, que importou cerca de 12 milhões de barris de petróleo por dia nos dois primeiros meses de 2026, a maior quantidade do mundo, não respondeu diretamente ao seu pedido.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China pediu, esta terça-feira, o fim da escalada no Estreito de Ormuz e a suspensão das ações militares na região, sem esclarecer se participará na coligação internacional de escolta de navios proposta.
Viajar para o estrangeiro "pode não ser o ideal"
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou na segunda-feira que o adiamento da reunião não se deve ao pedido de Washington por ajuda de Pequim no Golfo, nem a quaisquer divergências comerciais.

"O presidente quer permanecer em Washington para coordenar o esforço de guerra. Viajar para o estrangeiro num momento como este pode não ser o ideal", justificou.

A China também rejeitou qualquer ligação entre o adiamento da reunião e as questões em torno do Estreito de Ormuz, afirmando que “o lado americano esclareceu publicamente essas notícias falsas veiculadas pelos media”.

Pequim nunca anunciou oficialmente as datas da visita de Trump e normalmente não detalha a agenda de Xi Jinping com muita antecedência.

Os preparativos iniciais para o encontro incluíram conversações em Paris, esta semana, entre o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng.

A concretizar-se, esta será a segunda visita de Trump ao gigante asiático, depois da realizada em 2017, durante o seu primeiro mandato. Os dois líderes encontraram-se pela última vez em outubro do ano passado, na Coreia do Sul.
Tópicos
PUB